Ouro volta a US$ 4 mil com decisão do Fed no radar e efeito no Brasil

Ouro volta a superar US$ 4 mil por onça com investidores à espera da decisão do Fed, movimento que mexe com reservas e câmbio brasileiros.

Vetor Geopolítico3 min de leituraMundo

Os contratos futuros do ouro voltaram a superar a marca de US$ 4 mil por onça, revertendo as perdas da semana anterior, quando o metal recuou mais de 4% e tocou o nível mais baixo desde julho. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o contrato com entrega prevista para outubro fechou em alta de 0,77%, a US$ 4.024,4 por onça-troy. O movimento acontece com os investidores de olho na decisão de política monetária do Federal Reserve, o banco central americano, prevista para 28 de outubro.

O que explica a volta do ouro a US$ 4 mil

Dois fatores sustentam a recuperação do metal nesta sessão. O primeiro é o recuo dos preços do petróleo, que ajuda a conter as expectativas de repasse inflacionário, embora os contratos futuros de energia ainda permaneçam em patamares elevados. O segundo é a expectativa em torno do Fed: o mercado praticamente já precificou a manutenção das taxas na reunião de 28 de outubro, enquanto a reunião de dezembro incorpora uma expectativa de alta.

O ouro é um ativo procurado em momentos de incerteza, porque não paga juros e tende a ganhar espaço quando o custo do dinheiro fica mais baixo ou quando cresce a dúvida sobre a trajetória da política monetária. Por isso, cada sinal do Fed sobre os próximos passos vira um catalisador para o preço do metal.

Fed e tom mais agressivo podem mudar o jogo

O próximo grande catalisador para o mercado de ouro será a decisão do comitê de política monetária do Fed nesta semana e, sobretudo, se o banco central americano adotará um tom mais agressivo. Um discurso mais duro tende a mexer com o dólar e com as expectativas de juros, o que costuma repercutir diretamente no preço do metal.

Há também um risco apontado por analistas: o ouro pode sofrer pressão caso haja nova liquidação de posições para cobrir perdas em outros mercados. Investidores seguem ainda o desempenho das ações ligadas à inteligência artificial, num ambiente em que vendas de ativos para recompor caixa em outras frentes podem atingir o metal.

Por que o petróleo entra nessa conta

A queda dos preços do petróleo ajuda a reduzir a pressão sobre as perspectivas de inflação, segundo análise do MUFG, que ressalta que os contratos futuros de energia ainda permanecem em patamares elevados. A leitura é que um petróleo mais contido diminui o risco de repasse inflacionário e, com isso, modera a necessidade de juros mais altos — cenário que costuma favorecer o ouro.

É essa combinação de energia mais baixa e cautela antes do Fed que explica a alta desta sessão, depois de uma semana de perdas que havia levado o metal ao menor patamar desde julho.

O que observar daqui para frente

O primeiro ponto de atenção é a decisão do Fed em 28 de outubro e o tom adotado pelo comitê. Na sequência, o mercado olha para a reunião de dezembro, que já carrega expectativa de alta de taxas. Qualquer mudança nessa precificação tende a se refletir rapidamente no ouro e no dólar.

Para o investidor, o metal segue como termômetro da aversão a risco e das apostas sobre juros americanos. Enquanto isso, o recuo do petróleo e o comportamento das ações de inteligência artificial completam o quadro de fatores que podem empurrar o ouro para cima ou para baixo nos próximos dias.

Por que importa para o Brasil

O Brasil mantém parte de suas reservas internacionais em ouro, então uma valorização do metal tende a elevar o valor em dólar desse colchão de segurança. Ao mesmo tempo, a expectativa em torno dos juros americanos mexe com o dólar, e um real mais fraco encarece importações e produtos atrelados à moeda americana. O petróleo mais barato citado no mercado também alivia pressão inflacionária global, o que pode influenciar a trajetória de juros no Brasil.

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