Tarifas dos EUA atingem mais de mil empresas no Rio Grande do Sul
O impacto das tarifas dos EUA atinge mais de mil empresas exportadoras gaúchas e gera perda de 2,8 bilhões de reais nas vendas para o mercado americano.
As barreiras comerciais implementadas pelo governo norte-americano atingiram em cheio a atividade produtiva no Sul do país. Sob o peso das tarifas dos EUA, 1.052 empresas do Rio Grande do Sul enfrentam taxações sobre suas vendas externas, o que representa quase um terço de todas as 3.246 companhias exportadoras do estado. Esse volume faz do território gaúcho o segundo com maior número de empresas impactadas em todo o território nacional, acumulando um recuo de 29,1% nos embarques para o mercado norte-americano em um período de doze meses.
O histórico e a oscilação das tarifas dos EUA
A ofensiva tarifária começou a ganhar contornos severos em agosto de 2025, momento em que o governo de Donald Trump determinou uma alíquota de 50% sobre as importações de produtos brasileiros. A barreira chegou a ser suspensa em fevereiro de 2026 por decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, mas as restrições foram reativadas após a realização de duas investigações comerciais, estabelecendo uma cobrança que alcança até 37,5% atualmente.
A oscilação e o aumento nos tributos geraram um rombo financeiro expressivo. Em um ano de vigência das medidas protecionistas, a receita com as exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos caiu para US$ 1,4 bilhão, o que significa uma perda de US$ 546,5 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) em faturamento direto para os produtores locais.
Setores manufatureiros e agrícolas em forte retração
O impacto negativo espalhou-se por segmentos essenciais da pauta exportadora gaúcha. O setor de fumo e tabaco, principal item comercializado com os compradores norte-americanos, viu sua receita cair pela metade, totalizando US$ 124,7 milhões no intervalo avaliado. O tombo foi ainda mais acentuado na indústria de armas e munições, cujos embarques desabaram 63,2%, somando US$ 58,4 milhões.
Outros setores industriais tradicionais também registraram fortes perdas: as vendas de madeira tombaram 48,8% (para US$ 57,6 milhões), os embarques de móveis despencaram 51,3% (ficando em US$ 19,6 milhões) e as remessas de calçados recuaram 16,5% (para US$ 113,5 milhões). O único desempenho positivo no período ocorreu no segmento de óleos e gorduras animais, a exemplo do sebo, que avançou 8,7% e alcançou US$ 38,9 milhões em vendas.
Estratégias de adaptação e diversificação internacional
Para mitigar a retração nas vendas aos norte-americanos, entidades como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) têm articulado esforços para estimular o envio de cargas a destinos alternativos, com foco na União Europeia. Cidades gaúchas como Porto Alegre, Guaíba, Cachoeira do Sul, Rio Grande, Ijuí, Cruz Alta e Caxias do Sul buscam aproveitar acordos internacionais e o bloco do Mercosul para amortecer os prejuízos e manter ativas as cadeias produtivas locais.
Por que importa para o Brasil
A imposição tarifária norte-americana prejudica diretamente a balança comercial de importantes setores industriais e agrícolas brasileiros, reduzindo o faturamento de centenas de exportadores. O cenário reforça a necessidade de diversificação de parceiros comerciais e redirecionamento de embarques para mercados como a União Europeia para amortecer os prejuízos na balança do país.
