TSMC busca equipamentos sem terras-raras para reduzir risco chinês
TSMC pesquisa equipamentos de fábrica sem ímãs de terras-raras para reduzir dependência de controles chineses de exportação e proteger produção de chips
A maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, a taiwanesa TSMC, começou a procurar alternativas a componentes de terras-raras em equipamentos de fábrica. O objetivo é reduzir o risco de que controles de exportação da China interrompam operações em plantas que produzem semicondutores avançados. A medida foi relatada por três pessoas familiarizadas com o assunto e ainda está em fase de consulta a fornecedores.
O que está em jogo nas linhas automatizadas
Terras-raras são usadas em ímãs que movem motores de equipamentos industriais, inclusive em fábricas altamente automatizadas como as da TSMC. Se faltarem peças especializadas, a produção de chips pode ser afetada em cadeias de smartphones, sistemas de inteligência artificial, data centers e defesa.
A China colocou no ano passado sob licença de exportação certos materiais de terras-raras, ímãs e tecnologias de processamento relacionadas. Na prática, fornecedores passam a depender de autorização chinesa para vender itens que hoje são incorporados a máquinas usadas na fabricação de semicondutores.
Consulta a fornecedores
A TSMC consultou fornecedores sobre o uso de motores sem terras-raras em equipamentos de automação fabril. A empresa não anunciou prazo nem troca imediata de componentes. O movimento é defensivo: busca evitar que uma restrição comercial se transforme em parada de linha ou atraso de entrega para clientes.
A dependência é sensível porque a TSMC é a principal fabricante terceirizada de chips do mundo. Qualquer gargalo em sua operação tende a repercutir em empresas que projetam chips, mas não têm fábricas próprias, e em setores que compram os semicondutores já prontos.
Expansão em meio à corrida por IA
A preocupação com terras-raras aparece enquanto a TSMC amplia capacidade. A empresa planeja produzir chips de 3 nanômetros na segunda fábrica de sua subsidiária no Japão, a JASM, em Kumamoto, com investimento total em equipamentos superior a US$ 23 bilhões. A produção e os aportes serão feitos em fases, conforme a demanda de mercado e condicionados a apoio de governo.
A companhia informou que o projeto visa atender à crescente procura por chips avançados impulsionada pela inteligência artificial. No trimestre julho-setembro, a TSMC registrou lucro líquido de US$ 23,86 bilhões, alta de 68,7% na comparação anual, e receita de US$ 46,72 bilhões, avanço de 50,9%.
O que observar daqui para frente
O próximo passo é técnico e comercial: fornecedores precisam desenvolver motores e componentes que dispensem ímãs de terras-raras sem perder desempenho. A adoção dependerá de custo, escala e validação nas linhas de produção. Também importa o alcance das licenças chinesas, que podem ser ampliadas ou ajustadas.
Para o setor de chips, a busca por alternativas não elimina a dependência imediata, mas sinaliza que grandes compradores estão dispostos a redesenhar equipamentos para reduzir exposição a um único fornecedor de minerais críticos.
Por que importa para o Brasil
Para o Brasil, o movimento interessa porque o país é visto como candidato a fornecer minerais críticos e terras-raras, e uma busca global por insumos fora da China pode ampliar o interesse comercial em projetos brasileiros. O canal é o de comércio e investimento: se fabricantes de chips e equipamentos passarem a exigir componentes com outra origem, fornecedores alternativos ganham espaço. A concretização, porém, depende de viabilidade, licenciamento e segurança jurídica, fatores que pesam na mineração.
