China acelera comércio e compra 15 mi t de soja dos EUA

Comércio exterior da China cresce 18,8% no acumulado até setembro e compras estatais de soja dos EUA somam 15 milhões de toneladas para a safra 2026/27

Vetor Geopolítico3 min de leituraComércio

A China fechou o acumulado de janeiro a setembro de 2026 com alta de 18,8% no comércio exterior, que somou 39,94 trilhões de yuans (cerca de 6 trilhões de dólares), em ritmo de aceleração a cada trimestre. No mesmo período, tradings estatais chinesas ampliaram a compra de soja americana e já acumulam cerca de 15 milhões de toneladas para a safra 2026/27. Os dois movimentos interessam ao Brasil porque a demanda chinesa é determinante para o volume e o preço das commodities que o país embarca, e porque a soja brasileira disputa justamente com a americana esse mercado.

Crescimento acelera trimestre a trimestre

As exportações chinesas subiram 16,4% e chegaram a 23,2 trilhões de yuans, enquanto as importações avançaram 22,3%, para 16,74 trilhões de yuans, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas. O ritmo de expansão do comércio total passou de 15,3% no primeiro trimestre para 18,3% entre abril e junho e chegou a 22,3% entre julho e setembro.

Somente em setembro, as trocas comerciais atingiram 5,16 trilhões de yuans, alta de 27,5% sobre o ano anterior, superando pela primeira vez a marca de 5 trilhões. “É a taxa mais alta para o período em cinco anos”, afirmou Wang Jun, vice-chefe da Administração Geral das Alfândegas, que classificou o país como o maior trader de mercadorias do mundo.

Pauta exportada migra para tecnologia

A composição das vendas externas chinesas segue mudando na direção de produtos mais sofisticados e de menor consumo energético. As exportações de circuitos integrados quase dobraram, com alta de 99,1% no acumulado até setembro.

No mesmo intervalo, as vendas de veículos elétricos cresceram 72,3%, as de baterias de lítio, 36,4%, e as de geradores de energia eólica e suas peças, 22,4%. O movimento indica que a China busca compensar a desaceleração de segmentos tradicionais com cadeias industriais de maior valor agregado.

Soja americana e a meta de 25 milhões de toneladas

Tradings estatais chinesas reservaram de 10 a 13 novos carregamentos de soja dos Estados Unidos nos últimos dias, com embarques previstos entre dezembro e março. Com isso, o total comprado para a safra 2026/27 chega a cerca de 15 milhões de toneladas, pouco mais da metade da meta de 25 milhões de toneladas que, segundo a Casa Branca, a China se comprometeu a cumprir dentro de um pacote mais amplo.

O acordo prevê pelo menos 17 bilhões de dólares em compras anuais de produtos agrícolas americanos, com vigência até 2028. As aquisições continuaram mesmo após uma pausa durante o feriado do Dia Nacional, no início de outubro, e sem que as reduções tarifárias discutidas na reunião entre os presidentes dos dois países tenham coberto especificamente a soja. Dados de exportação americanos de setembro mostram recuperação forte das vendas ao país asiático, após embarques praticamente nulos no mesmo mês do ano anterior.

Brasil e Argentina observam a partição do mercado

Exportadores concorrentes na América do Sul acompanham o ritmo dessas compras para avaliar o que ele indica sobre a divisão do mercado chinês de soja em 2027. Brasil e Argentina ganharam participação nos volumes importados pela China nas duas últimas safras, justamente quando a disputa comercial entre Washington e Pequim interrompeu o fluxo tradicional de grãos americanos.

Para os agricultores e tradings dos Estados Unidos, a retomada das compras alivia a pressão de estoques não vendidos que se acumularam após uma safra recorde. Para os sul-americanos, a questão é saber se a regularidade das aquisições chinesas de soja americana se manterá como obrigação contratual ou se voltará a depender do humor da relação bilateral.

Por que importa para o Brasil

Para o Brasil, o canal de impacto mais direto é o mercado de soja: o país ganhou espaço nas importações chinesas nos últimos anos, quando o atrito comercial entre Washington e Pequim desorganizou o fluxo tradicional de grãos americanos, e a retomada consistente das compras estatais chinesas de soja dos EUA pode reduzir o espaço disponível para a oleaginosa brasileira ao longo de 2027. Ao mesmo tempo, a expansão de 22,3% das importações chinesas sinaliza demanda aquecida por produtos que o Brasil vende ao país, o que sustenta o fluxo comercial. O efeito concreto depende de como o ritmo de compras americanas evoluir até o fim da safra.

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