Irã ameaça alvos petrolíferos e cabos submarinos em retaliação
Irã ameaça atacar petróleo, cabos submarinos e centros de dados de até sete países do Golfo caso EUA e Israel retomem ofensiva.
O Irã ameaçou atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, centros de dados e estruturas de inteligência artificial de até sete países do Golfo, caso os Estados Unidos e Israel retomem uma ofensiva militar contra o país. O alerta foi feito nesta sexta-feira (23) por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, e amplia o risco sobre infraestruturas das quais o comércio global depende.
O que Teerã diz que vai atacar
Segundo Rezaei, Teerã prepara uma resposta mais ampla caso novos ataques sejam ordenados por Washington e por Israel. “Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos”, afirmou o secretário.
O argumento iraniano é que o país não aceitará um arranjo em que sua infraestrutura econômica seja atingida enquanto as estruturas que sustentam as operações de seus adversários permaneçam intocáveis. A ameaça foi reforçada por Mehdi Mohammadi, assessor do negociador Mohammad Ghalibaf, que classificou um terceiro conflito em dois anos como ameaça existencial.
Os sinais militares dos últimos dias
A troca de ameaças coincide com exercícios militares conjuntos prolongados de EUA e Israel, incluindo simulações de operações sobre o Iraque. Aviões israelenses teriam voado perto da fronteira iraniana no início da semana, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se reuniu com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, para discutir o momento e os objetivos de uma possível ofensiva.
Relatos indicam que Netanyahu prefere uma situação em que o Irã ataque primeiro. Também é esperado que um reforço da presença militar americana na região seja concluído até o início de novembro, com o posicionamento de três porta-aviões, segundo as informações disponíveis.
A dúvida sobre a ofensiva e a lista de alvos
Assessores militares americanos elaboraram uma lista de alvos para uma possível ofensiva conjunta após as eleições legislativas dos EUA, marcadas para 3 de novembro. Entre os alvos estariam instalações de mísseis, estruturas petrolíferas e unidades nucleares iranianas.
Nos últimos quatro meses, porém, Donald Trump recuou ao menos sete vezes da decisão de voltar a atacar o Irã, o que mantém incerteza sobre a concretização de uma nova ofensiva. O Irã afirma que, em caso de guerra, pretende ampliar a duração e o alcance geográfico do conflito, sem estabelecer linhas vermelhas para sua resposta.
Por que petróleo e cabos entram na conta
A ameaça a instalações petrolíferas atinge diretamente o fornecimento de energia do Golfo, região por onde escoa parte relevante do petróleo consumido no mundo. Já o sinal contra cabos submarinos e centros de dados expõe a infraestrutura que sustenta comunicações, internet e transações financeiras entre continentes.
O próximo passo depende da decisão americana sobre uma nova ofensiva e da conclusão do reforço militar previsto para o início de novembro, o que deve manter a tensão elevada nas próximas semanas.
Por que importa para o Brasil
O Brasil depende de rotas marítimas e do comércio global para escoar commodities e importar insumos, e o Atlântico Sul conecta-se ao sistema de cabos submarinos que sustenta internet e transações financeiras. Uma escalada no Golfo pode elevar o preço do petróleo, pressionar o câmbio e encarecer fretes e combustíveis no país. Para o brasileiro, o efeito prático tende a aparecer no custo de energia e no preço de produtos importados.
