Petróleo dispara com tensão EUA-Irã e pressiona custos no Brasil
Brent supera US$ 114 com planos de novos ataques dos EUA e Israel ao Irã após eleições legislativas americanas e bloqueios no Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo voltou a subir com força nesta semana, impulsionado pelo temor de uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent, referência internacional, superou a marca de US$ 114, enquanto o WTI, referência americana, se aproximou de US$ 101, em uma sequência de ganhos que levou as cotações ao maior nível em cinco meses. O gatilho imediato foi a combinação de ataques houthis contra a Arábia Saudita com a revelação de que Washington e Tel Aviv preparam uma operação contra o Irã depois das eleições legislativas americanas, marcadas para o início de novembro.
Planos militares e a saída de pessoal da Arábia Saudita
Segundo relatos de autoridades americanas, os militares dos Estados Unidos e de Israel já teriam desenhado planos para uma operação descrita como curta e intensa em território iraniano, a ser executada após o pleito de 3 de novembro. O governo americano ordenou a retirada de funcionários não essenciais e de seus familiares da Arábia Saudita, medida que o mercado interpretou como sinal de preparação para ações militares na região.
O presidente Donald Trump afirmou que algo vai acontecer no Irã em breve, sem detalhar o que seria. Ele já havia prometido repetidamente que não haveria ataques antes das eleições. O envio de um terceiro grupo de ataque de porta-aviões e de uma unidade expedicionária de fuzileiros navais para o Oriente Médio reforçou a percepção de que a pausa nos bombardeios, que dura cerca de um mês, pode estar perto do fim.
Estreito de Ormuz segue longe do fluxo normal
Além do risco geopolítico, os números mostram um gargalo logístico persistente. O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do óleo exportado do Golfo, opera cerca de 26% abaixo dos níveis anteriores ao conflito. A média móvel de sete dias está em 12,65 milhões de barris por dia, contra uma base de 17,15 milhões, segundo dados de rastreamento de cargas.
Os ataques a navios mercantes mantêm elevado o prêmio de risco cobrado pelo transporte marítimo, o que encarece o frete e o barril. A oferta de petróleo do Oriente Médio que chega ao mercado global, excluindo o Irã, está acima dos patamares anteriores à guerra, o que indica que o problema não é falta de produto, mas o custo e a segurança das rotas.
Combustíveis caros e pressão sobre os mercados
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina segue teimosamente acima de US$ 4 o galão, patamar que pode pesar sobre o eleitorado às vésperas do pleito. A alta do petróleo também derrubou as bolsas americanas, com o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq em queda, em um dia marcado ainda pela decepção de investidores com os planos de gastos em inteligência artificial de gigantes como Meta e Tesla.
O próximo passo depende de duas datas: as eleições americanas e a eventual execução dos planos militares. Até lá, o mercado deve continuar operando com nervosismo, como resumem analistas de instituições financeiras, e qualquer sinal de recuo ou de escalada terá efeito direto sobre as cotações do barril.
Por que importa para o Brasil
A alta do petróleo chega ao Brasil pelo preço dos combustíveis e pelo custo do frete marítimo, que sobe com o risco maior no Estreito de Ormuz. A Petrobras acompanha a cotação internacional do barril, o que pode pressionar a inflação e a política de preços da estatal. Para a balança comercial, o encarecimento do transporte afeta exportações brasileiras de commodities que dependem de rotas longas, enquanto a valorização do dólar em momentos de aversão a risco tende a encarecer importações.
