Acordo Mercosul-UE eleva exportações de calçados do Brasil

A redução de tarifas pelo acordo mercosul ue eleva as vendas externas de calçados brasileiros e atrai compradores internacionais para feira em São Paulo.

Vetor Geopolítico2 min de leituraComércio

A indústria brasileira de calçados registra um aumento expressivo em seus embarques para o mercado europeu após o início da vigência de novas regras comerciais bilaterais. Impulsionado pelo acordo mercosul ue, o setor fabril nacional observou um corte imediato nas tarifas de importação aplicadas pelo bloco europeu, resultando em avanço tanto no volume de pares negociados quanto no faturamento em moeda estrangeira entre maio e setembro deste ano.

Queda de tarifas do acordo mercosul ue estimula vendas

Desde que o pacto comercial entrou em vigor, em maio, a alíquota média de importação sobre os calçados brasileiros desembarcados na Europa caiu de 10,7% para 9,3%. Uma nova redução já está programada para janeiro, quando a taxa média recuará para 8,2%, ampliando de forma progressiva a margem de competitividade das marcas nacionais no exterior.

Entre maio e setembro, as exportações brasileiras para o bloco europeu somaram 2,8 milhões de pares, totalizando US$ 29,6 milhões. O desempenho representou um crescimento de 7% em volume físico e de 17,5% em receita quando comparado ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a avaliação do presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, o tratado comercial aproximou as relações de negócios e deu início a uma recuperação gradual do mercado europeu para as empresas brasileiras.

Feira em São Paulo atrai importadores de dezenas de países

Aproveitando o ambiente tarifário mais favorável, a indústria calçadista prepara uma rodada ampla de negociações durante a 7ª edição da feira BFShow, marcada para ocorrer entre 10 e 12 de novembro em São Paulo. O evento servirá de vitrine para fabricantes locais apresentarem suas coleções a compradores internacionais.

A organização projeta receber cerca de 10,5 mil compradores, dos quais aproximadamente 10% serão estrangeiros. Por meio de uma parceria entre a entidade setorial e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), foram convidados 200 importadores de 45 países para prospectar contratos de fornecimento.

Conexões comerciais com Europa e Oriente Médio

O alívio tarifário também desperta o interesse de distribuidores globais que atendem múltiplos mercados. Entre os compradores internacionais confirmados está o diretor-executivo Vishal Sonwane, que comanda a DigiKraft GmbH, na Alemanha, e a Herzo Kraft, nos Emirados Árabes Unidos.

A presença do distribuidor visa avaliar o portfólio brasileiro para abastecer clientes tanto no mercado alemão quanto no Oriente Médio, região que também terá a participação de duas empresas emiradenses no evento em São Paulo.

A movimentação indica que o ganho de competitividade tarifária na Europa gera reflexos indiretos em outras praças, atraindo redes de distribuição internacional interessadas em incorporar produtos brasileiros às suas cadeias de suprimento.

Por que importa para o Brasil

A redução gradual das tarifas na Europa melhora a competitividade dos calçados fabricados no Brasil frente a outros concorrentes globais. O avanço das vendas externas injeta divisas na indústria nacional e abre canais comerciais diretos com mercados europeus e do Oriente Médio. Com isso, o setor produtivo nacional ganha fôlego para sustentar investimentos e manter postos de trabalho nas fábricas do país.

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