Ataques no Oriente Médio empurram petróleo para cima novamente
Relatos de ataques a bases e instalações no Oriente Médio fizeram WTI e Brent recuperar preço após queda ligada à suspensão de sanções a combustível russo.
O petróleo voltou a subir nesta quarta-feira, 21 de outubro, após relatos de ataques envolvendo os Estados Unidos, o Irã e os houthis, no Oriente Médio. A alta reverteu parte da queda provocada pela suspensão de sanções americanas a combustível russo e recolocou no centro das atenções os riscos para instalações e rotas de energia.
Cotações recuperam parte da queda
O petróleo WTI chegou a US$ 99,24 e o Brent a US$ 106,82 antes de inverter a direção. Depois, o WTI era negociado a US$ 103,13, enquanto o Brent passava de US$ 110. Os valores mostram uma recuperação no mesmo dia, mas não apagam a queda registrada anteriormente.
A redução das restrições americanas ao combustível russo havia pressionado os preços para baixo por cerca de 15 horas, segundo o relato do mercado. As novas notícias de ataques mudaram o humor dos investidores, que voltaram a considerar o risco de interrupções na produção ou no transporte de petróleo.
Relatos de ataques envolvem Irã e Arábia Saudita
A Marinha iraniana afirmou que os Estados Unidos atingiram a base naval de Konarak com dois projéteis leves e que dois soldados ficaram feridos. O episódio foi descrito como limitado, mas adicionou tensão entre os dois países. O material não informa uma confirmação independente do relato iraniano.
Os houthis, por sua vez, disseram ter realizado seis ataques contra a Arábia Saudita nas 48 horas anteriores. Entre os alvos citados pelo grupo estavam a instalação petrolífera de Yanbu, da Aramco, o campo de Shaybah e aeroportos em Riad e Abha. A divulgação dessas alegações contribuiu para a reação do mercado.
Rotas marítimas ampliam o risco para o setor
As notícias preocupam porque o petróleo depende de rotas marítimas vulneráveis a conflitos. Em 18 de outubro, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que um navio-tanque pegou fogo e explodiu após atingir uma mina no estreito de Ormuz. A causa do incidente não havia sido estabelecida de forma independente.
Também no mar Vermelho, ataques houthis a embarcações levaram transportadoras a desviar viagens entre Ásia e Europa pelo cabo da Boa Esperança a partir de novembro de 2023. O percurso mais longo elevou custos e afetou horários de navegação. O governo egípcio informou que a receita do canal de Suez caiu quase US$ 7 bilhões em 2024, mais de 60% em relação ao ano anterior.
Arábia Saudita busca alternativas de escoamento
Para reduzir a dependência de corredores marítimos expostos, a Arábia Saudita pretende transportar mais petróleo por seu território até o mar Vermelho. O Egito busca ampliar sua atuação diplomática na segurança dos acessos ao canal de Suez, enquanto os dois países também avançam em uma interligação elétrica. Essas iniciativas apontam para esforços de diversificação, mas não eliminam os riscos imediatos.
A Arábia Saudita cancelou nesta quarta-feira a conferência “Davos no Deserto”, em meio à escalada de relatos de ataques. Os próximos sinais relevantes para o mercado são a confirmação do que ocorreu nas instalações citadas e eventuais respostas dos países envolvidos. Por ora, a reversão das cotações mostra como notícias sobre segurança regional podem alterar rapidamente os preços do petróleo.
Por que importa para o Brasil
Para o Brasil, a oscilação do petróleo pode alterar o valor das vendas externas de energia e afetar custos ligados ao mercado internacional. Como o país participa do fornecimento de petróleo à China, mudanças na cotação e nos riscos de transporte podem repercutir nas condições desse comércio. O material não informa volumes nem efeitos já medidos sobre essa relação.
