Eleição no Brasil decide futuro da Amazônia, alertam cientistas

Brasileiros vão às urnas no domingo em eleição presidencial na reta final que pode definir o futuro da Amazônia, com propostas opostas sobre desmatamento, cli

Vetor Geopolítico3 min de leituraAmazônia

No próximo domingo, cerca de 159 milhões de brasileiros vão às urnas para escolher o presidente, mas a decisão também definirá o futuro da maior floresta tropical do mundo. A Amazônia, peça central na regulação do clima global, é tema de dois modelos opostos entre os candidatos — embora o assunto tenha ficado quase ausente da campanha.

Dois modelos opostos para a floresta

Durante os quatro anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o desmatamento na Amazônia caiu 71%, atingindo o menor nível desde 1988. A política ambiental voltou a ser prioridade, com a nomeação de Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente, a retomada de multas e operações para expulsar invasores ilegais de reservas e terras indígenas, além de incentivos para tornar a preservação mais rentável que o corte.

Já Flávio Bolsonaro promete reviver a fórmula do pai: flexibilizar leis para que o meio ambiente deixe de ser visto como entrave a proprietários rurais e ao desenvolvimento econômico, permitir mineração em terras indígenas e acabar com a exigência de que donos de terra preservem parte da vegetação nativa. No governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu 60%, somando cerca de 4,6 milhões de hectares — área equivalente a 5.777 vezes o Central Park, em Nova York.

O risco do ponto de não retorno

Cientistas alertam há tempos que a Amazônia está perigosamente próxima de um ponto de não retorno. A degradação atingiu nível tão elevado que grande parte da floresta pode se transformar permanentemente em savana, sem capacidade de regeneração.

Pesquisas mostram que, se o desmatamento continuar sem controle, a região pode receber muito menos chuvas e boa parte da selva pode virar savana até 2050 — processo “difícil de reverter uma vez iniciado”, segundo Nico Wunderling, professor da Universidade Goethe de Frankfurt.

Commodities e pressão econômica

A pressão sobre a floresta é impulsionada em grande parte pela demanda global por commodities. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e soja, os dois principais vetores do desmatamento no país. Nos últimos anos, vastas áreas de floresta foram convertidas em pasto para gado.

A candidatura de Flávio Bolsonaro é apoiada pelo lobby agropecuário e por integrantes da elite econômica e política que querem novas rodovias, ferrovias e exploração de petróleo na Amazônia — projetos que, segundo pesquisas, acelerariam o desmatamento. Apoiadores do candidato já avisaram a grupos indígenas da Amazônia que planejam invadir suas terras se ele vencer.

O peso na COP30 e na diplomacia

Lula transformou a defesa da floresta e do clima em política de Estado e vitrine diplomática, culminando com a COP30, realizada em Belém, no coração da Amazônia. Flávio Bolsonaro, que não acredita que a mudança climática seja causada pelo homem, teria, se eleito, maioria inédita no Congresso.

Especialistas em meio ambiente avaliam que, desta vez, os ataques à legislação ambiental podem ter mais sucesso do que nos anos do patriarca. O desfecho da votação, portanto, definirá não apenas o rumo doméstico do Brasil, mas também o papel do país nas negociações climáticas internacionais.

Por que importa para o Brasil

A eleição deste domingo tem efeito direto sobre o Brasil: o modelo de exportação de carne e soja, dois dos principais vetores do desmatamento, pode mudar de acordo com a política ambiental do próximo governo. A Amazônia também influencia o regime de chuvas que afeta a agricultura e o abastecimento de água no país. Além disso, a posição do Brasil nas negociações climáticas internacionais, incluindo o legado da COP30 em Belém, depende de o próximo governo manter ou desmontar a política ambiental atual.

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