Lula é reeleito e recebe apoio de líderes da América Latina e Canadá
Lula vence Flavio Bolsonaro no segundo turno e recebe congratulações de líderes como Carney, Sheinbaum e Kast, que citam comércio e crime organizado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito neste domingo, derrotando o senador Flavio Bolsonaro no segundo turno e conquistando um quarto mandato não consecutivo. O resultado foi recebido com congratulações de chefes de Estado de várias regiões, num sinal de que o Lula reeleito deve manter o Brasil no centro das articulações diplomáticas do continente e ampliar a agenda comercial com parceiros fora da América do Sul.
América Latina reconhece resultado e fala em integração
Os vizinhos latino-americanos foram os primeiros a se manifestar. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, resumiu o tom predominante ao afirmar que “o povo do Brasil venceu” e cumprimentou o presidente reeleito. Do Paraguai, Santiago Peña defendeu a continuidade de uma agenda comum de integração e desenvolvimento entre os dois países.
Na mesma linha, o boliviano Rodrigo Paz destacou que Bolívia e Brasil são países vizinhos e irmãos, unidos por desafios compartilhados, e prometeu seguir fortalecendo a relação bilateral. O uruguaio Yamandu Orsi contou que conversou por telefone com Lula, a quem chamou de amigo, para cumprimentá-lo pela vitória e pela celebração democrática que o processo eleitoral representa.
Chile cita comércio e combate ao crime organizado
O presidente do Chile, José Antonio Kast, também relatou contato telefônico com Lula. Segundo ele, os dois países têm “muito futuro compartilhado” e vão continuar trabalhando numa agenda que fortaleça a integração econômica e o combate ao crime organizado na região — tema de interesse direto para o Brasil em áreas de fronteira.
Do Peru, Keiko Fujimori cumprimentou o presidente brasileiro e saudou o povo do Brasil pela jornada democrática. O equatoriano Daniel Noboa foi na mesma direção, lembrando que a região tem inimigos comuns e muito a ganhar quando trabalha de forma coordenada.
Canadá aposta em comércio e meio ambiente
Fora da América Latina, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fez uma das declarações mais voltadas ao campo econômico. Ele afirmou que a relação entre os dois países se desenvolveu sob a parceria atual e pediu que a oportunidade seja aproveitada para criar novas frentes de comércio, proteger o meio ambiente e gerar prosperidade para os dois povos.
Também houve manifestações de Cuba e do Panamá. O cubano Miguel Díaz-Canel falou em “vitória histórica” que assegura a continuidade de um caminho de paz, soberania e justiça social; o panamenho José Raúl Mulino cumprimentou o povo brasileiro pela jornada democrática e, em especial, o presidente reeleito.
O que acontece agora
O próximo passo é a formalização dos convites e das agendas bilaterais para os primeiros meses do novo mandato. As declarações indicam prioridades distintas: integração regional e segurança entre os vizinhos sul-americanos, e comércio e clima na relação com o Canadá. Para o Brasil, o reconhecimento rápido dos parceiros reduz o risco de isolamento diplomático e abre espaço para retomar negociações que estavam paradas.
Por que importa para o Brasil
A onda de reconhecimento internacional ao Lula reeleito abre espaço para o Brasil retomar agendas paradas no plano externo, especialmente a integração regional e o acordo comercial entre Mercosul e Canadá, que o primeiro-ministro Mark Carney citou ao falar em novas oportunidades de comércio. Para o exportador brasileiro, a sinalização de cooperação com o Canadá e com vizinhos latino-americanos pode destravar negociações tarifárias e de acesso a mercados. Já a menção de Kast à luta contra o crime organizado na região interessa diretamente ao Brasil nas áreas de fronteira e no Atlântico Sul.
