Newcastle: México barra aves do Brasil; China e Chile limitam SC

México suspendeu compras de aves de todo o Brasil; China e Chile restringiram produtos de Santa Catarina após foco de Newcastle em granja de perus.

Vetor Geopolítico3 min de leituraComércio

México, China e Chile restringiram a importação de produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Santa Catarina. As medidas têm alcances distintos: o México suspendeu compras de todo o país, enquanto China e Chile limitaram as barreiras ao estado onde a ocorrência foi registrada. Para o Brasil, a diferença define quais exportações ainda podem seguir para esses mercados.

China limita a suspensão a Santa Catarina

O foco foi confirmado em 19 de outubro, em uma propriedade de Nova Itaberaba, no oeste catarinense, com cerca de 6 mil perus. A China restringiu a entrada de carne de aves produzida no estado. A decisão afeta 14 estabelecimentos catarinenses habilitados a exportar para o país, de um total de 61 unidades brasileiras autorizadas.

A negociação do governo brasileiro com as autoridades chinesas evitou que a suspensão alcançasse todo o território nacional. Assim, empresas de outros estados podem continuar atendendo o mercado chinês, se cumprirem as exigências sanitárias. A China recebeu 420 mil toneladas de carne de frango brasileira entre janeiro e setembro, cerca de 10% do total exportado pelo país no período.

México adota a restrição de maior alcance

A medida mexicana abrange produtos avícolas de todo o Brasil, incluindo carne e miúdos, aves vivas, ovos férteis e pintinhos de até três dias. Também inclui outras categorias, como aves de companhia e ornamentais. Por ser nacional, a suspensão impede que empresas contornem o bloqueio usando produção de outros estados.

O Chile, por sua vez, restringiu produtos originários de Santa Catarina. A lista inclui carne fresca de aves, ovos para consumo humano e férteis, pintinhos de um dia e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves. O alcance varia, portanto, conforme o país e o tipo de produto, e não representa um bloqueio uniforme de todas as exportações brasileiras.

Empresas podem ter de reorganizar as vendas

Para as unidades afetadas, a interrupção dos embarques pode exigir a busca de compradores em outros mercados, renegociação de entregas e mudanças na distribuição. O redirecionamento pode gerar custos adicionais e condições comerciais diferentes das previstas. O impacto dependerá da exposição de cada empresa aos destinos suspensos e de sua capacidade de realocar os produtos.

Se os volumes não encontrarem outros compradores, uma parcela maior da produção poderá ficar disponível no mercado interno, pressionando preços e margens da cadeia. A duração das restrições será decisiva para avaliar os efeitos sobre produtores e frigoríficos, mas não foi informada. O Ministério da Agricultura mantém contato com os parceiros comerciais e busca viabilizar a retomada das vendas conforme as exigências sanitárias de cada país.

Granja foi interditada e passa por controle sanitário

A propriedade de Nova Itaberaba foi interditada, e a movimentação de aves foi suspensa. Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, os perus permaneceram na granja e não foram destinados à produção de carne para consumo.

As medidas previstas incluem o sacrifício sanitário das aves e, em seguida, a limpeza e desinfecção das instalações. O governo também informou que compartilha dados técnicos sobre a ocorrência e as ações de controle com os importadores. A retomada das exportações dependerá das regras sanitárias acordadas com cada parceiro.

Por que importa para o Brasil

As restrições podem dificultar embarques de produtos avícolas brasileiros e exigir que empresas busquem outros compradores. Para Santa Catarina, a limitação de acesso aos mercados chinês e chileno pode elevar custos de venda e logística; se parte da produção não for redirecionada, poderá haver maior oferta no mercado interno.

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