Soja cai em Chicago mesmo com nova compra chinesa de 612 mil toneladas

Apesar de nova venda de soja americana à China, preços caíram em Chicago com avanço da colheita nos EUA e fraqueza do farelo.

Vetor Geopolítico2 min de leituraComércio

Os contratos futuros de soja encerraram a terça-feira (20) em queda na Bolsa de Chicago, apesar do anúncio de uma nova venda privada de 612 mil toneladas de soja americana à China pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O contrato novembro/26 recuou 0,42%, para US$ 12,4825 por bushel, no segundo pregão consecutivo de desvalorização. O movimento mostra como a oferta abundante nos EUA tem se sobreposto aos sinais de recuperação da demanda chinesa.

Colheita americana avança e pressiona cotações

A colheita de soja nos Estados Unidos alcançou 64% da área cultivada na semana encerrada em 18 de outubro, segundo o USDA. O avanço foi de 18 pontos percentuais em uma semana e ficou apenas um ponto abaixo da média histórica de 65%. Esse ritmo reforça a entrada sazonal do produto no mercado e amplia a disponibilidade da oleaginosa, fator que vem limitando a alta dos preços.

Os contratos chegaram a abrir em alta, mas perderam força ao longo do pregão. O janeiro/27 recuou para US$ 12,6350 por bushel, e o março/27 encerrou a US$ 12,7325.

Demanda chinesa cresce, mas não sustenta preços

As inspeções semanais de exportação de soja dos Estados Unidos atingiram cerca de 2 milhões de toneladas, crescimento superior a 80% na comparação semanal. A China respondeu por aproximadamente 1,28 milhão de toneladas inspecionadas, consolidando-se como principal destino da oleaginosa americana no período.

Mesmo com esse volume, os novos negócios não foram suficientes para reverter a tendência de baixa. O mercado segue acompanhando o posicionamento dos investidores e a pressão da oferta.

Farelo recua e reforça fraqueza do complexo soja

O farelo de soja teve perdas expressivas em Chicago. O contrato dezembro/26 caiu 1,72%, para US$ 348,70 por tonelada, enquanto o janeiro/27 recuou 1,53%, a US$ 347,50, e o março/27 perdeu 1,17%, para US$ 346,70.

A fraqueza do derivado, somada à colheita americana e ao posicionamento dos investidores, foi apontada como fator associado às perdas recentes da soja, segundo análise de inteligência de mercado divulgada nesta semana.

Mercado físico brasileiro registra baixas

No Brasil, o levantamento do mercado físico apontou desvalorizações da soja em diversas regiões na terça-feira. O movimento acompanha a fraqueza internacional e o avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a oferta global.

O próximo passo do mercado depende do ritmo das compras chinesas e das condições climáticas no Brasil, que podem influenciar a safra e o escoamento da produção.

Por que importa para o Brasil

A queda nos preços internacionais da soja pressiona o mercado físico brasileiro, que já registra baixas em várias regiões, segundo o material. A depender do ritmo da colheita americana e das chuvas no Brasil, o produtor nacional pode enfrentar margens menores na exportação. A demanda chinesa segue relevante, e o Brasil é um dos principais fornecedores da oleaginosa ao país asiático.

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